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Dois Séculos na Matriz sem comemoração



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Os parnaibanos, com exceção de alguns historiadores e curiosos, são mestres na arte de fazer vista grossa para suas datas importantes. Neste ano de 2010, a maior de suas igrejas faz 240 anos de construída pelo português Domingos Dias da Silva, pai de Simplício Dias.  

Noutra cidade esta lembrança seria um ponto importante para a mobilização de seus órgãos e entidades onde certamente estariam sendo desenvolvidos projetos e comemorações à altura. Mas Parnaíba é Parnaíba. Ninguém aqui se interessa pelas boas idéias.

Tenho certeza se fosse em Salvador, Recife ou até aqui bem perto, Fortaleza, esta lembrança criaria um entusiasmo entre as entidades culturais como o Instituto Histórico Geográfico e Genealógico, a Academia Parnaibana de Letras, Fundação Raul Furtado Bacelar e as secretarias da Cultura, da Educação e a de Turismo. Seria a oportunidade para se desenvolver e promover a peça histórica mais importante de Parnaíba e criar uma mentalidade publicitária mais arrojada sobre nosso patrimônio de pedra e cal.

Tenho lá minhas dúvidas se esta idéia vai dar frutos. Quando muito estas entidades e os órgãos públicos farão algum arremedo para uma data onde sobram motivos para ser bem comemorada. É data para ser comemorada com grande festa, ampla divulgação na grande mídia, desfiles de escolas, bandas de música, foguetório e tudo o mais. Festa para ser lembrada por muitos e muitos anos.

Festa para ser convidado inclusive o Papa Bento XVI. Certamente se aceitasse o convite, Sua Santidade desembarcaria com toda a pompa no aeroporto de Parnaíba e rezaria missa na catedral. Seria uma festa que, entre as que Parnaíba teve no passado, seria comparada à vinda da imagem de Nossa Senhora de Fátima em 1953. Ou mais que isso.

Já pensou na repercussão dentro da comunidade católica internacional? Uma igreja no Piauí completando quase dois séculos e meio de construída? E que salvo alguma tinta aqui e outra ali, uma demolição mais acolá, continua mais firme que a fé de muitos parnaibanos que nunca pensam grande? A peça publicitária para um evento deste porte certamente que mereceria um investimento vultoso. Nada pequeno. Negócio teria que ser de Veja, Época e IstoÉ para cima. De Rede Globo para mais adiante. 

Porque se fosse numa cidade que pensa grande, turisticamente falando, esta data seria comemorada com aquela festa de arromba! Já pensou no dividendo econômico para o setor turístico religioso?  É festa para merecer um selo dos Correios, uma sessão especial e conjunta da Câmara e do Senado e no dia da padroeira, fogos de fazer inveja a abertura de jogos olímpicos.

Não somente este, mas outros setores acompanhariam a banda. Porque o turista gosta mesmo é de festa. Onde ele possa levar uma foto bem feita com os amigos e no meio do povo nativo. Duvido que se fosse em Juazeiro do Norte, terra de padre Cícero Romão Batista ou na Basílica de São Francisco em Canindé, a coisa já não estivesse mais que encaminhada!

 

Todo e qualquer material postado na coluna é de inteira responsabilidade civil e penal do colunista.

Comentários

Dois Séculos na Matriz sem comemoração

Com todo respeito ao jornalista Pádua Marques, a Igreja Matriz não foi construída por Domingos Dias da Silva, mas por João Paulo Diniz no ano de 1775, conforme documentos da Sé de São Luís em meu poder. Domingos Dias da Silva apenas construiu a Capela do Santíssimo e não desembolsou um centavo para a construção da Igreja Matriz.

...

Quando digo q - às vezes - o pior de Parnaíba é o parnaibano dizem q sou chato e implicante.

Noutra matéria - aqui mesmo deste site - comentaram sobre o fiasco do Zé Pereira parnaibano. Tirando a óbvia incompetência na organização, o parnaibano ñ iria participar. Mesmo se a festa tivesse q competir com os quesitos da Passarela do Samba. Quando se pensa pequeno, de forma provinciana e mesquinha, ocorre este destempero em relação às datas, pessoas e memórias.

E a maioria dos "novos ricos parnaibanos" ficam imundos... se agarrando ao mais sujo dos paus...

Mas ñ adianta... é o mesmo q correr atrás do vento.

O último q sair apaga a luz.

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